terça-feira, 10 de maio de 2011

Outras formas de fazer sabão

Apesar do Cold Process ser minha paixão, às vezes nos vemos obrigados a fazer sabão de outra orma, outras vezes nos sentimos seduzidos por alguma receita que vemos na net, ou até mesmo por ser um desafio fazer um outro tipo de sabão.
Até aprender realmente a fazer o Cold, apanehei muito, errei muitas receitas e por esse motivo tive que me especializar em outra técnica que é o Rebatch.  De cada 3 sabões que eu fazia em Cold, 2 viravam rebatch e dessa forma acabei dominando a técnica muito bem.
A técnica do Rebatch significa refundir ou seja, derreter o sabãoe reenformar. Em  poucas palavras é isso mas, se você não souber fazer direite, você produz um sabão mole, que derrete fácil e de aparência grosseira, deixa de ser aquele lindo sabão delicado que é o cold, e ainda ficam grumos de outra cor no meio da massa, isso é terrível e entrega para qualquer um que é um rebatch mal feito. Pois bem hoje posso dizer que meus rebatches são perfeitos e ninguém consegue distinguir o que é rebatch e o que é cold.
Outra técnica de saboaria é o Hot Process, este eu fiz algumas vezes mas ainda prefiro o Cold. O Hot é uma massa de cold cozida, leva-se ao banho Maria ou forno e com isso você acelera a saponificação. A vantagem é que a cura desse sabão é mais rápida e isso facilita em uma emergência ou em uma encomenda urgente mas, o hot necessita de uma maior porcentagem de óleos duros e esses óleos são responsáveis pelo ressecamento da pele e, o Hot não aceita um SF muito grande (o ideal é não colocar SF) e por esse motivo o considero um sabão menos emoliente e menos hidratante. Claro que se for feita uma receita balanceada ele fica perfeito e não faz mal nenhum à pele.
Muitas vezes fazemos cold e, na hora que se coloca a essência a massa talha, quando acontece isso a maioria das pessoas se desespera mas, se nessa hora levarmos à massa ao banho maria (transformarmos o cold em hot) ele destrava e pode ser levado à forma normalmente. Claro que não é uma técnica simples e requer habilidade, paciência e experiência para fazer isso pois se não souber fazer direito é possível queimar a essência e evaporar a mesma, ficando com um sabão cozido sem aroma. Normalmente quando se utiliza OE isso não ocorre.
O Wipped é a técnica do sabão batido. Nessa técnica utilizamos a maior parte de óleos duros e manteigas e utiliza-se uma menor quantidade de água.  Normalmente as pessoas utilizam essa técnica para fazer os sabonetes artísticos (bolos, muffins, cupcakes...), ele permite ser trabalhado com saco de confeitar. Para fazer esse tipo de sabão é necessário uma batedeira e muita paciência, o único inconveniente, por ser um sabão batido, ele é aerado e sua cura leva 6 meses então é preciso se programar. O legal dele, é considerado o sabão flutuante pois se colocá-lo em uma banheira ele bóia por isso crianças adoram esse tipo de sabão.
No último mês estive estudando as Barras Glicerinadas Transparentes,  em resultado lembram muito aquelas barras glicerinadas que compramos e derretemos para fazer sabonetes glicerinados, a diferença é que nas que faço não utilizo lauril ou amida sendo assim, a espumação dela é natural. É muito difícil obter uma barra completamente transparente, a primeira que fiz ficou âmbar as seguintes amarelo clarinho. Quando molhamos elas, ficam como vidro mas quando secas se tornam um pouco opacas. Outra dificuldade é fazer a barra e depois derretê-la pois o indicado é o microondas mas não gosto de colocar sabão no mesmo pois tenho medo que ele exploda (sim microondas já explodiram por causa da Soda) e, se não for bem limpo o mesmo pode enferrujar e oxidar por causa da Soda. Derreter em banho maria requer um aumento no líquido e nesse caso não pode ser água pois ela tira a transparência da barra logo, seria necessário colocar álcool (dizem que álcool e fogo não combinam, e mais uma vez não pretendo explodir minha casa ou por fogo em mim) por esse motivo derreter no fogo também não seria o indicado. Sobrou o nosso querido e amado fogareiro elétrico, esse não tem fogo e não tem risco de explodir, então agora só me falta tempo para pegar o bonitinho, picar a barra em pedaços pequenos e derreter (prometi à mim mesma que assim que a Bia deixar testarei).
Todas as barras transparentes que fiz até hoje coloquei o aroma direto no começo e já enformei, dessa forma não precisei derreter para perfumar. Fiz todas em cores naturais pois é aí que está a graça e ficaram lindas.
Outro desafio que adorei foi fazer um sabonete líquido com a Soda Cáustica (normalmente se utiliza a potassa).  Após umas 3 tentativas consegui  um belíssimo sabonete líquido com uma linda coloração de mel. Hoje em dia esse já ficou fácil fazer.
Em resumo esses são os processos de saponificação que costumo trabalhar.
Se alguém quiser saber um pouco mais sobre algum deles podemos conversar, fiquem à vontade.

11 comentários:

  1. É verdade Tati, sempre falo que é um processo simples mas com excesso de variaveis e a arte esta exatamente em dominar essas variaveis e você consegue um excelente resultado.
    Parabéns! você foi uma aluna extremamente dedicada e conseguiu conciliar todas as atribuições de mãe, dona de casa, com a sua paixão. Suce$$o.
    Bjos, MARA MARIA.

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  2. Olá Tati, boa noite, peço-lhe a gentileza de me enviar ou postar a receita do SABONETE LÍQUIDO FEITO COM SODA CAUSTICA, citada acíma.
    Já tentei várias e não deu certo.
    Grato,
    Wallis
    email >> wallistadeu@gmail.com

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    1. Wallis eu não costumo enviar fórmulas pois me preocupo muito com a segurança das pessoas e como irão manipular a soda. Posso indicar uma pessoa que dá curso de saboaria e nesse curso você terá condição de aprender a fazer sabonete líquido a partir de soda.
      Bjs Tati

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  3. Olá Tati, muito bom seu blog. Ainda estou montando o meu. Já tive que fazer vários rebatchs também devido a alguns errinhos no cold process, principalmente quando usei mel e leites de soja e cabra. Hehe, houve separação, que susto. Mas depois ficaram excelente sabões. Quanto ao Hot Process, eu coloco 5 a 7% de SF sem problemas no final e, depois de esfriar um pouco mais, adiciono fragrâncias e/ou óleos essenciais misturando muito bem. Depois é só enformar e espera esfriar, desenformar e cortar (é rápido, cerca de 12 horas). Depois de +- 5 dias, você tem um sabão excelente, firme e hidratante, mas rústico e muita espuma. Uso em torno de 45% de gorduras sólidas (coco, palma, manteigas, etc) e o resto óleos líquidos. Se quiser fazer uma troca de idéias, estou a disposição.

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  4. Oi Tati ,
    Legal o seu comentário sobre as tecnicas , estou com uma duvida sobre rebatch , tenho barras que acredito que foi umidade elas apareceram pintinhas laranjas e perderam o aroma e gostaria de refazer ,qual o calculo de agua para um kilo de sabao já curados ?


    Obrigada


    Carla

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  5. Boa noite Carla, normalmente pintinhas amarelas significam oxidação da fase oleosa do seu sabão. Você colocou algum conservante??
    Eu não recomendo utilizar sabão oxidado, ele perde o aroma e fica com cheiro de ranço inclusive.
    Beijinhos Tati

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  6. Tatiane!
    Também faço sabão no método cold! Vc tem o cortador para vender? Se não tem, saberia onde posso comprar? obrigada!

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  7. Tatiana, vc tem os cortadores para vender? Onde posso comprar? Obrigada!

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    1. Bom dia Selma estive afastada de tudo por um tempo e estou retornando agora. Se você quiser formas e cortador, eu vendo. Beijos Tati

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  8. Ola Tatiane, faço experiencias com cold process, mas deixei de arriscar fazendo a receita com OE sem ter certeza que a dureza da massa e suas caracteristicas em contato com a pele seja perfeitas, mas acontece que perco o material pois nao tem aroma nem aditivos. Como procedo para derreter sabonetes cold process para assim podem por os aditivos e ter menos desperdícios?

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    1. Olá Evandro, vc precisa ralar suas barras, colocar até 5% do peso de sabão em água e levar ao banho maria, mexendo de vez em quando, quando estiver totalmente derretido, retire do fogo e adicione, o aroma e propriedades, depois enforme e deixe endurecer. Pode usar logo em seguida.

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